Previously, in Dragonlance Legends

O símbolo de Spawn, campeão de Mishakal
Quatro anos depois do final da War of the Lance o continente de Ansalon estava em frangalhos. Embora derrotados, os Dragonarmies não haviam desaparecido e seus integrantes ainda controlavam grandes quantidades de terra ao leste de Solamnia. Os locais de onde os Dragonarmies haviam sido expulsos pelas forças do Whitestone Council recuperavam-se lentamente da destruição causada. Fome, peste e pobreza eram visões comuns em toda a terra. Nessa época, um bando de homens lutaram para reerguer os reinos de Ansalon e torna-los livres, ou subjuga-los sob suas botas. Essa foi a época do nascimento dos Knights of Takhisis no seu forte secreto em Storm’s Keep. Essa foi a época de Hawken e Valia, que junto com o Mestre do Passado e do Presente, e de outros cujos nomes a história esqueceu, desafiaram os deuses de Krynn por seus lugares no firmamento, e falharam. Essa foi a época de Alden Dragonward e as Sete Cidadelas Tarrasque Voadoras. Foi a época de Troy Dutch, o implacável Inquisitor de Solinari.
Foi a época onde mitos antigos deram espaço para novas lendas.
A Shadow and a Threat
Depois de terminar o conteúdo dos romances de Raistlin e Caramon ainda estávamos empolgados com a campanha. Gostaríamos de continua-la, e para isso precisávamos de ameaças no cenário. Foi daí que comecei a realmente flexionar meus “músculos” de GM. Decidi que a ameaça seria o reerguer das Dragonarmies – os exércitos de Takhisis organizados durante a War of the Lance e que haviam dispersado quando Nightlord Duulket Ariakas foi morto por Tanis Half-Elven no Temple of Darkness em Neraka. Os jogadores já haviam visto um glimpse da Blue Dragonarmy durante o ataque de Soth e Kitiara à Palanthus, então me parecia um bom gancho. O próximo passo era pensar em quem poderia estar por trás da reorganização dos exércitos das trevas. Não poderia ser Takhisis diretamente porque os dois últimos plots de Dragonlance haviam sido “Takhisis tenta ganhar influência direta em Krynn” e ambas as tentativas havia falhado, mas eu queria uma presença ameaçadora como a dela, mas sutil. Queria alguém pants-shittingly powerful, e ainda assim terrivelmente limitado na sua capacidade de influenciar diretamente os resultados dos acontecimentos em Krynn, sendo forçado a mexer peças num tabuleiro como num jogo de xadrez. Foi então que nasceu a idéia do grande vilão de Dragonlance Legends.
Foi então que nasceu a idéia de Hawken.
Hawken não só seria o responsável pela reorganização das Dragonarmies como seria seu diretor geral de operações. Ele estaria fazendo isso por ganho próprio mas ainda assim avançaria os planos de Takhisis inexoravelmente com cada decisão. Baseado nessas diretivas, comecei a construir a história desse vilão. Decidi que ele seria um semi-deus, e não um homem ameaçando os jogadores mas não tinha muito domínio sobre o lore extendido de Dragonlance. Até onde eu sabia, existiam vinte-e-um deuses em Krynn and that was it. Como eu não queria deformar o lore de Dragonlance (noção que abandonei em algum momento entre Legends e Dragonlance 2000), só me restava visitar algum outro lugar. Foi então que comecei a misturar.
Foi então que adicionei Mystara.
Então, agora eu tinha um semi-deus de Mystara dirigindo as Dragonarmies em prol de Takhisis (que queria escravizar todos os mortais). Faltava só a motivação dele: o que um semi-deus de Mystara poderia querer de uma deusa de Krynn? A resposta era óbvia: um lugar no panteão dos vinte-e-um deuses. Takhisis concordou, se Hawken pudesse fazer duas coisas: dominar Ansalon e matar um dos outros seis deuses da Escuridão. Agora, Hawken tinha uma motivação clara para as ações dele, que se misturavam direto com um dos temas de Dragonlance: The Law of the Dark Queen (“Evil feeds upon itself“). Esse personagem e seus objetivos seriam as fontes de todas as atividades vindouras das Dragonarmies. Tinha agora uma fonte inesgotável de plots e aventuras para jogar nos jogadores. E eu teria parado por aí, satisfeito com essa dinâmica. Mas daí algo me atingiu, e me toquei que eu não precisava parar por aí. Poderia pensar na história passada dele, nas coisas que Hawken teve e perdeu. Pensar se ele teve família. Em que tipo de pessoa ele era antes de virar um semi-deus. O que ele fez, e como ele acabou exatamente no lugar onde ele se encontrara naquele momento. E mais, me toquei que poderia dar esse mesmo tratamento para cada pessoa que participasse da história. Todos os personagens que eu quisesse poderiam ser mais do que plot devices: eles poderiam ser personagens. Nesse momento, minha campanha mudou. Foi então que deixei de criar aventuras.
Foi então que comecei a criar pessoas.
How it all begun
Lá pela metade da década de noventa, coloquei minhas mãos numa edição conjunta de três livros da série “Dragonlance” (uma série de livros de fantasia medieval). Individualmente, os nomes desses livros eram “Time of the Twins“, “War of the Twins” e “Test of the Twins“. Juntos, o nome deles era “Dragonlance Legends“. Quando os li, fiquei maravilhado com os mundo lá descrito. Decidi então começar uma campanha de RPG que para partilhar com meus amigos as histórias que havia lido.
Foi uma idéia muito melhor do que imaginava que podia ser.
A campanha começou alguns anos depois da famigerada Guerra da Lança, onde os deuses de Krynn haviam sido redescobertos pelos homens e mulheres do continente de Ansalon, que se recuperava de uma guerra entre as forças dos Dragonarmies e o Whitestone Council. A minha idéia, naquela época, era fazer com que os jogadores experimentassem uma história baseada nos romances, mas permitindo que eles escolhecem como eles queriam participar do conflito. O resultado foi ótimo. Uma vez terminada a história dos livros acabei dando uma direção completamente original (no sentido de ser inventada por mim ao invés de seguir uma outra história escrita, não de ser super-inovadora) para a história. Era a primeira vez que uma campaha minha durava tanto, e a primeira vez em que lembro de pessoas investirem tanto deles numa campanha minha.
Embora gostasse de jogar RPG há alguns anos já, acho que foi ali que me apaixonei por inventar e contar histórias.
O resultado desses jogos foram tão divertidos que o grupo que era composto inicialmente de umas quatro pessoas, aumentou para seis, e depois cresceu para mais dois grupos de pessoas jogando na mesma campanha, com agendas completamente independentes mas que se cruzavam vez que outra. Essa campanha ficou conhecida por nós como Dragonlance Legends, and it was glorious
Depois de alguns anos, Dragonlance Legends foi substituída por uma nova campanha que eventualmente ficou conhecida como Dragonlance 2000, e anos depois essa foi substituída por Dragonlance: The Third Lightning, e depois finalmente Dragonlance IV. Todas essas campanhas foram conectadas, tendo o cenário de cada uma baseada nos eventos da campanha anterior. Foram exercícios fantásticos de cosmogonia, filosofia, e storytelling. It was glorious.
Então, quase vinte anos depois do início de Dragonlance Legends, aproveitando o lançamento da quinta edição do sistema Dungeons and Dragons, me ocorreu a idéia de fazer mais uma campanha de Dragonlance, continuando a “tradição” de criar um novo cenário e novas aventuras com base nas campanhas anteriores. Uma história onde os deuses de Krynn, ausentes do seu mundo há vários anos retornassem a ele junto conosco, os jogadores dessas campanhas que também estiveram ausentes. Através dos próximos posts, vou fazer uma recapitulação superficial dos eventos das campanhas anteriores para contextualizar a nova. Talvez seja uma recapitulação menos ou mais superficial do que esperava, ou acabe sendo uma série de anedotas vagamente conectadas. De qualquer maneira, acho que uma trip back to memory lane is in order, pelo menos para mim se para mais ninguém, mas espero os jogadores dessas campanhas encontrem alguma coisa aqui que valha a pena ser lembrada. Para eles, e para os possíveis novos jogadores, eu digo:
Welcome home. Welcome to Dragonlance. And may dragons fly ever in your dreams.
PS: I still haven’t found a decent theme/failed to configure it to my satisfaction, but I rather put the words out there and work it out as we go. :p
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